Aqui, um pouquinho das palavras dos outros por onde passeio e me encanto. Muitos dos livros mais importantes da minha vida não estarão aqui presentes, porque esse é um projeto de novos. O que será encontrado neste lugar? Hojes. Toda sugestão é bem-vinda: É preciso um constante repasse das coisas belas.


Contos de Verão V: Agonia.

26 de setembro de 2014 por Camila em Eu Conto!

Aqui as coisas ardem. Eu queimo, já não durmo e pouco respiro. E no silêncio desse calor imenso e bruto e insone e abafado, as constantes nunca variáveis: a saudade, a ausência, o vazio, o eco do nada, a falta que você me faz e a perturbação inexorável dos seus olhos não estarem repousando – nesse minuto urgente – nos meus.

Te sinto: e sinto em pronomes oblíquos, em próclises inexatas, nas minhas licenças poéticas, nos meus planos desconexos, nos meus abstratismos e, sobretudo, em mim inteira. E sempre meu, por completo.

Te busco: e procuro nas mãos desconcertadas e firmes que não acham as minhas, no sorriso molhado por todas as lágrimas da madrugada, nas pernas bambas e incertas, no afago último antes de partir pros novos horizontes, na paz angustiada que é o outro e, mais que nunca, nas promessas de amanhãs. Te encontro todas as vezes em que te (im) preciso.

Amor, beijo-te então por todas as noites que não vivemos e por todos os dias – azuis – que teremos. E então, seremos.

(Foto: Isadora Não Entende Nada.)
(Foto: Isadora Não Entende Nada.)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>