Aqui, um pouquinho das palavras dos outros por onde passeio e me encanto. Muitos dos livros mais importantes da minha vida não estarão aqui presentes, porque esse é um projeto de novos. O que será encontrado neste lugar? Hojes. Toda sugestão é bem-vinda: É preciso um constante repasse das coisas belas.


Nietzsche, Green, Freire e Rice.

4 de setembro de 2014 por Camila em Entre Páginas

Talvez por ser do tipo ansiosa, nunca fui uma pessoa que lê um livro por vez. Não acho que isso seja algo positivo ou negativo, não acho que seja nada: é somente o meu modus operandi. Tenho tentado mudar ao longo dos anos e, com alguma disciplina, às vezes consigo me dedicar a uma leitura de maneira exclusiva (mas o caso é que isso não é uma ocasião comum).

Lembro de passar madrugadas inteiras tendo mini ataques cardíacos com um livro e correr pro outro porque aquelas páginas também não podiam esperar. É difícil ser uma mulher de muitas paixões, viu? Na adolescência flanei ao mesmo tempo por livros urgentes de política e sociologia que iam me ajudar a salvar o mundo (eu sei, tenho em mim alguma ganância), o beijo roubado em romances de qualidade duvidosas, a busca sedenta por respostas em páginas de filosofia e religião, a segurança das onipresentes crônicas e, com alguma sorte, livros de contos e poesias que me faziam suspirar. Claro que ignorei veementemente os livros da escola quando minha presença era crucial em física, matemática, química, biologia… E é óbvio que me ferrava semestralmente e até hoje não sei calcular 10% de nada, mas isso já é outro assunto (#vergonha).

A minha agonia, entretanto, sempre repousou nos best sellers. Eu sei, é um preconceito literário  extremamente idiota e obras que chegam ao topo das vendas podem ser muito boas e até virar um clássicos em alguns anos. Tenho tentado romper isso e até conseguido com algum sucesso… Vou só abrir um parêntese aqui e dizer que desde que vocês não me mandem ler Paulo Coelho tudo ficará bem entre nós, certo? 😉

Carrego em mim as marcas, idéias, influências e cores de alguns autores que me acompanham desde que meu mundo da sopa de letrinhas existe, o que se deu mais ou menos aos seis anos. E isso virou uma salada liquidificada dentro de mim, embora seja desnecessário dizer que jamais escreverei como eles tampouco me dou ao direito da pretensão.

Enfim, pra cortar o bláblábláblá e iniciar o assunto que nomeia este blog, agorinha mesmo estou imersa e impaciente na página desses livros.

Enquanto isso, na minha cabeceira...
Enquanto isso, na minha cabeceira…

Posso – com alguma certeza – recomendar (olha que responsabilidade, Meu Deus!) uns dois ou três deles. E, embora ainda inacabada a leitura, já sinto uma preguiça enorme de um deles, mas me obrigo a terminar (acho que só umas raras vezes na vida abandonei um livro com a intenção clara de jamais voltar a tocá-lo tipo como aconteceu com ‘Eat. Pray. Love.’). Bora então conversar sobre eles?

Assim falava Zaratustra (NIETZSCHE, F.): o fato é que não importa quantos anos você tenha e nada do que você já experimentou em termos de múltiplas situações na vida, Nietzsche sempre vai fazer a sua cabeça rodar e te enlouquecer até você parir a estrela do caos da compreensão. A primeira vez que li Fred foi na faculdade e confesso que morri de rir com a sutileza de sua ironia. Era interessante ver meus colegas se debaterem em tomadas de posições e ter certeza de que aqueles questionamentos e dedos em riste eram exatamente o que ele queria quando escreveu boa parte da sua obra. De ‘Assim falava Zaratustra’ saiu minha mais recente tatuagem, reafirmação do meu amor pelas palavras bem colocadas e a recuperação da paixão pela existência da inteligência humana. Uma vez um professor de Semiótica (acabei de morrer lentamente de novo!) me deu uma escolha: eu poderia passar pela vida tendo lido Proust ou não. Eu não tive lá muita capacidade intelectual e paciência pro francês, mas, se você pode passar pela vida lendo Nietzsche, faça isto. Não é um livro fácil, mas é um livro extremamente necessário a depender da fase de vida que você está. Ou para entender um ontem que passou e deixou seu rastro de dúvida.

Encontrei bilhetes do namorado guardados dentro do meu Nietzsche, bonita casualidade. <3
Encontrei bilhetes do namorado guardados dentro do meu Nietzsche, que bonita casualidade. <3

 

 

A culpa é das estrelas (GREEN, J.): se encaixa na categoria de preconceitos-vencidos-contra-best-sellers. Acontece que em uma noite entre um jogo e outro da copa nessas férias meio tortas de inverno, minha cunhada marcou um cinema ‘de casal’ com o marido dela, eu e meu namorado. A gente queria fazer um programa tipo cinema+barzinho+conversa descompromissada+Heineken eterna (delícia das delícias dos programas! Cheers!), então ela se encarregou de organizar e nos mandou o horário. Fui com alguma dúvida em relação a qualidade do filme e, pelo que eu tinha lido previamente, uma caixinha de lencinhos na bolsa. Não deu outra, nossos olhos derreteram e ninguém saiu com o rostinho impune do cinema. Houve soluços também (namorado, não negue! Você é um #VelhotePançudo e sentimental!). Como estava a toa, o filme era bonitinho e eu achava que precisava de companhia para os meus cappuccinos de fim de tarde, comprei o livro. Tem sido bom para passar o tempo em salas de espera, jantares comigo mesma e reforço na crença do amor, embora a linguagem traduzida me canse um pouco por ter ficado clichê demais em gírias americanas traduzida com alguma exatidão. Até procurei o livro na língua original, mas demorava pra chegar no Brasil e achei que poderia ser esforço demais para uma literatura que eu não sabia se valeria tanto assim… Leiam se quiserem acabar com um certo cinismo que vez por outra insiste em fazer morada na nossa alma ou se não tiverem nada melhor pra fazer. Mas comprem uma caixinha de Kleenex, tá? E, se maquiadas, se assegurem que o rímel é a prova d’água. 😉

Não tinha um marcador de páginas comigo quando saí pra tomar um cappuccino com o livro, daí o papel onde vinham os talheres acabou tendo uma outra utilidade. #PropagandaDeGraça
Não tinha um marcador de páginas comigo quando saí pra tomar um cappuccino com o livro, daí o papel onde vinham os talheres acabou tendo uma outra utilidade. #PropagandaDeGraça

 

 

Cleo e Daniel (FREIRE, R.): eu sempre fui capaz de reconhecer a existência de falhas gigantescas nos meus processos de conhecimentos literários e não ter lido nada do Roberto Freire sempre me assombrou. Num dia em que cheguei muito cedo em Congonhas para pegar um vôo (#EpicWin!), fui esperar o andar lento das horas pela livraria. Com a mala de mão já sem espaço pra um brinco que fosse, decidi que era melhor focar onde não haveria problemas de peso extra nas mãos e fiquei ali pela seção dos pocket books. Mexi aqui e acolá e, entre Machado de Assis e Jack Kerouac, encontrei este livrinho vermelho e despretensioso. Achei que era a oportunidade batendo a porta e, ao ler a contracapa (que dizia ‘um best seller dos loucos anos 60’), tive certeza que caso não comprasse aquela belezinha por singelos R$10, ia padecer de arrependimento crônico (porque sim, a pessoa aqui sofre do mal de ‘nasci na época errada’). Só li quatro páginas até agora, mas parece bem promissor. Darei mais detalhes no próximo post, me cobrem.

Sou dessas que transforma etiqueta de roupa em marcador de página…
Sou dessas que transforma etiqueta de roupa em marcador de página e que sabe desenhar um coração, obviamente.

 

 

Entrevista com o vampiro (RICE, A.): daí que em 2011 eu estava passeando, tropecei e caí na Barnes & Noble. Com tanta coisa que eu poderia ter comprado, eu decidi investir em toda – sim, eu disse toda – a coleção das crônicas vampirescas da Anne Rice. Não sei o que me possuiu na hora, mas desconfio que tenha sido a carência e a ansiedade pela sequência do ‘The Southern Vampire Mysteries’ da Charlaine Harris (apenas um livro por ano numa série dessas acaba com o coração e a paciência da gente!) que eu lia desde 2009 combinada a lembrança de um filme da infância/adolescência cheio de gatinhos-de-pôster-de-revistas-de-garotas-e-Colírios-Capricho tipo Tom Cruise (pré-Cientologia, por favor) vivendo o sedento e sarcástico Lestat e Brad Pitt me matando lentamente com tanto espírito emo encarnado num corpo só (sério, você é um vampiro gato, pára de mimimimimi). O caso é, se eu estou lendo o livro desde 2011 – entre idas e vindas – é porque ele não me mudou tanto assim enquanto pessoa. Já usei trechos dele aqui no blog para ilustrar crônicas e não se pode negar que é um livro bem escrito, mas todas as vezes que eu sei que tenho que terminar de ler logo, eu pego o celular e começo a jogar Paciência. Deu pra perceber o nível? Mas falta pouco agora, ufa!

O interminável drama de Louis...
O interminável drama de Louis…

 

 

E vocês? O que andam lendo?

Algo recomendável? Contem aí nos comentários.


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