Aqui, um pouquinho das palavras dos outros por onde passeio e me encanto. Muitos dos livros mais importantes da minha vida não estarão aqui presentes, porque esse é um projeto de novos. O que será encontrado neste lugar? Hojes. Toda sugestão é bem-vinda: É preciso um constante repasse das coisas belas.


The Vampire Lestat – O Vampiro Lestat.

29 de fevereiro de 2016 por Camila em Entre Páginas

Anne Rice não é uma escritora fácil de se ler. Não é fácil porque suas nuanças se fundem por mil direções e nos fazem pensar. E pensar dá trabalho, pensar é exercício ativo. Lê-la sempre me toma um tempo enorme, e, com ‘The Vampire Lestat’, não foi diferente.

Toda a ojeriza que eu tinha em ‘Interview With The Vampire’ foi se dissipando por toda uma nova apreciação dos sentimentos tão próprios e humanos, da construção do mundo às avessas que criamos, mas também de enxergar o belo sem entrar em modo automático. Através de Lestat, retomei alguns dos meus questionamentos, me emocionei, sofri, gritei, chorei, torci e fui observadora passiva das dimensões do homem e das mudanças do mundo.

O livro começa sua narrativa um pouco antes da Revolução Francesa – em uma França ainda pomposa de príncipes e princesas – e ‘termina’ parte da sua história na efervescência do Rock dos anos 1980 nos Estados Unidos. A visão otimista do personagem sobre o mundo no qual ‘desperta’ me tocou profundamente, já que, para mim, os anos 80 sempre foram associados de maneira intrínseca a todo tipo de exagero e decadência. Lestat – no curso de sua história e buscando sanar suas questões mais íntimas – flana pelo Egito e por tantas outras terras antigas e nos escarna a essência humana e a alma em busca de paz e respostas. É, sem dúvida, um protagonista muito interessante e tinha mesmo que ser eterno para conseguir concluir o muito que entende e, posteriormente, explica. Como ele, todos nós também ardemos tentando silenciar ou contentar as perguntas óbvias – e obscuras, evidentemente! – do nossos existencialismo.

Passei tardes e mais tardes e quase que todo o meu tempo de ócio com esse livro, e mesmo assim demorei a terminá-lo. Mais de mês, na verdade. Às vezes a escrita se arrasta e você perde um pouco a paciência por achar que Anne não vai direto ao ponto, mas que graça tem ir direto ao ponto se há tanto talento de narrativa a se mostrar?

Eu lembro que na review que fiz lá no GoodReads assim que terminei de ler, eu já reclamava que seria muito difícil tentar fazer uma resenha objetiva sobre este livro, porque eu falava dele apaixonadamente para pessoas diferentes e em conversas aleatórias. Os trechos são de fato encantadores, Lestat é um personagem riquíssimo e eu me pergunto se escrevê-lo não foi o jeito que Anne encontrou de premiar seus leitores depois de termos aguentado o mimimimimi interminável de Louis por páginas a fio em ‘Interview With The Vampire’.

O meu livro está todo rabiscado e cheio de post-its espalhados pelas páginas. Pretendo voltar muitas vezes em suas passagens para refletir e entender um pouco mais a nossa própria natureza e as descobertas que tanto buscamos. Não é um livro que se leia de maneira desprendida, e eu me permiti morrer de amores pelos inputs da escritora. É um livro que eu recomendo, sem dúvida.

Estou tomando um fôlego enquanto exploro Jane Austen e seus clássicos para seguir com as ‘Crônicas Vampirescas’ de Mrs. Rice.

O próximo?

Queen Of The Damned’. 

Volto para contar.

– Minha resenha no GoodReads: https://www.goodreads.com/review/show/1308074679

– Interessou? Tem aqui: http://www.saraiva.com.br/index.php/the-vampire-lestat-389286.html

 

Tardes de sábado de leitura, gula, questionamento e reflexão.
Tardes de sábado de leitura, gula, questionamento e reflexão.

 

Domingos de atenção difusa e emaranhados na cama.
Domingos de atenção difusa e emaranhados na cama.

 

Esperando o carro sair da revisão e um arco-íris no papel! <3
Esperando o carro sair da revisão e um arco-íris no papel! <3

 

Penso que pijama, dias frios, livro, sofá e preguiça combinam maravilhosamente bem.
Penso que pijama, dias frios, livro, sofá e preguiça combinam maravilhosamente bem.

Comentários

2 comentários em “The Vampire Lestat – O Vampiro Lestat.

  1. Laís Ribeiro

    Eu sempre quis ler Anne Rice. Primeiro que eu nem lembro quantos anos eu tinha quando vi “Interview with the Vampire” pela primeira vez. Sim, eu lembro perfeitamente de me assustar e me apaixonar por Lestat ao mesmo tempo. Alguns anos depois, estudando a 5 série, umas das minhas melhores amigas na escola aparece com “The Vampire Lestat”. Ela chegou falando que tava ficando sem dormir pra acabar logo o livro e lembro ainda que brinquei que ela ia ficar com dor nas mãos pelo peso do livro. Eu fiquei muito curiosa com aquilo tudo e agora lendo você falar do livro vejo que mais de 10 anos Se passaram e a sua resenha me reacendeu o desejo de descobrir a literatura de Anne Rice.
    P.S.: Amei as fotos que ilustram a sua trajetória lendo os livros!

    • Lalá, a Anne Rice é uma escritora muito interessante, mas a leitura pode se tornar muito pesada e justamente por isso me tomou tanto tempo. Ela chama a questões sobre as quais às vezes não queremos pensar ou mesmo preferimos ignorar e viver em modo automático. Fora isso, ela tem muita destreza para descrever cenários e com muita sutileza nos convida a imaginar o que ficou subentendido nos diálogos. Eu achava que não ia ter paciência pra ler ‘The Vampire Lestat’ depois do mimimimimi interminável do Louis em ‘Interview With The Vampire’, mas, como a Gabi me pro-me-teu que os livros eram beeeeem diferentes (e eu já tinha comprado TODOS das ‘Crônicas Vampirescas’), decidi ler e fui positivamente surpreendida. Lestat é um personagem muito apaixonante, viu? Sabe tipo ‘literary crush’? Tipo isso! Beijo! ;*

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