Brincando de verborragia com as minhas particularidades, com os eus de mim e com os mins nos outros. Alguns textos novos, escritos mal acabados, garatujas que querem ser criadas e rabiscos que já nem são.


Um hoje qualquer.

23 de outubro de 2012 por Camila

Enquanto permito que a chama da vela queime a essência da verbena há dois dias ininterruptos, eu espero. Eu espero com olhares que dividem minha atenção entre uma leitura indicada, uma antiga possibilidade e um novo horizonte. Espero notícias que devem chegar não sei de onde ou tampouco de não sei de quem pelo Instagram, pelo Facebook, pelo Blog, pelo Twitter… Ferramentas de comunicação pós-moderna que apenas nos escarram no rosto a velha solidão. É somente um novo jeito de estar só, acabo de concluir. É apenas um novo liquidificador de expectativas. É nada mais que uma nova forma de refletir a usual vaidade. Espelhos binários, poderiam se chamar.

A chuva não cessa, o sol insiste em anunciar que o novo dia chegou. Banho extra quente para alimentar a preguiça que irá me salvar de oito horas de trabalhos medíocres. Deito. A espera aplaca, a escuridão artificial inunda, o sono confunde e eu parto. O telefone irrompe as horas de silêncio, são 17h30. Será que ainda dá pra ver o sol? E chove. Hoje as águas não cansam de se fazer presentes. Lembro das pequenas atividades que me anunciam que há vida. E que o mundo insiste em mim.

‘Preciso dar um jeito nas coisas’, penso. E logo saio porta a fora para marcar alguns check no list da minha agenda. Algumas coisas foram postergadas, obviamente. Oh céus, não se pode mesmo fazer tudo. Pode?

Buzinas neuróticas veladas sob a cortina branca e o vidro entreaberto dessa cidade que parece ilusão mas que é de uma realidade concreta. ‘O que há de errado com essa gente?’, me irrito. Mas eu sei o que há de errado com elas. E talvez comigo. Não arrisco dizer em voz alta, claro, é dar chance demais para que pedras sejam atiradas pela simplicidade da resposta. Precisamos de uma análise antropológica e psicológica de cada gesto – ou de cada não-gesto – para aceitar que precisamos mudar. Precisamos? Mas isso dá um trabalho danado e a vida anestesiada e insatisfatória continua a apelar mais alto…

Nos falta tanto, Santo Deus.

Mas não podemos reclamar, não é mesmo? Temos o suficiente pra pagar as contas a cada fim de mês e alguns breves momentos de eutanásia nos sorrisos largos dos amigos e na noite que já cai outra vez mais…

Pense bem, você poderia ser daqueles que não têm nada.

Nem mesmo placebos.

Só a noite.

Castelo Rodrigo, Portugal 2010.

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Na cadência bonita…

23 de outubro de 2012 por Camila

La quinta cosa son tus ojos, Matilde mía, bienamada, no quiero dormir sin tus ojos,
no quiero ser sin que me mires:
yo cambio la primavera 
por que tú me sigas mirando.’
(NERUDA, P.)

Entre fumaças que nada figuram em um filme noir, cerveja quase gelada e músicas que eu já nem me recordo, ele verbalizou o pensamento que parecia causar um certo incômodo no mar plácido em que estavam todos os outros:

-Deve ser foda fazer você se apaixonar.

No que eu, atônita, lhe contestei:

-Como assim, menino?

-Acho que pra te deixar apaixonada, o cara tem que ser um príncipe encantado. Você é meio inatingível, garota. Crítica demais, talvez. O homem tem que ser meio perfeito…

E eu, a uma altura destas, cambaleava entre o choque, a surpresa e a gargalhada que me escapava a boca inteira. Apenas lhe olhei bem fundo nos olhos e sem cinismo nenhum pensei: ‘Ora, se ele soubesse que é, neste preciso momento, o único objeto da minha afeição e o habitante mais constante das minhas esperanças há tanto adormecidas…’.

Na resposta em viva voz, apenas um suspiro de quem nada espera seguido de palavras clichês:

-Você está viajando. Nem imagina que eu sempre termino mesmo é com os ogros porque a maioria dos que se fantasiam de príncipes me levam a um tédio mortal…

Fez-se o silêncio. O diálogo que os dois tinham travado foi interrompido por um olhar cúmplice e uma quase piscadela para a prima, que sabia exatamente no que Lúcia estava pensando. E ria, companheira, em silêncio.

-Terminamos por aqui? Podemos ir ao samba?

-Claro, vamos só dar uma olhada no mapa. É aqui na Vila Madalena mesmo, mas às vezes os caminhos podem ser confusos…

-Tá bom, eu sou a motorista da vez! Enquanto vocês checam o mapa, vou ali passar um rímel e um batom. Aprendam e me guiem. Chegaremos. E será doce.

Entre ruas sinuosas, postos de gasolina, paradas estratégicas, a luta pelo estacionamento e a interminável fila para entrar no lugar, eles conseguiram. Traziam sorrisos e expectativas. E tinha música. E tinha poesia. E, dentro dela, havia uma espera interminável. ‘Será que ele sente vontade de me beijar?’ era o pensamento mais recorrente. Ele, entretanto, portava-se como um gentleman.

Naquela escassez de momento, ela só queria que ele fosse um pouco mais cafajeste e esquecesse daquela menina-sem-sal que o acompanhava com uma certa frequência indesejada pelo coração de Lúcia.

E dançaram. E riram. E dançaram mais. E se abraçaram. E ele lhe beijava o pescoço. Sorriam juntos no mesmo horizonte. Pontas de narizes na mesma linha contínua. Fazia um calor homérico, ela já estava com a franja grudada na testa e a calça jeans lhe apertava as coxas. As amigas buscavam seu olhar e respostas sobre se o beijo já tinha acontecido. Não, não aconteceu. Frustração coletiva. Expectativa interrompida. A desesperança já lhe era palpável. Mas a noite continuava divertida. Afinal, tinha samba. Tinha suor. E tinha um sorriso genuíno nos lábios dos que estavam vivendo, juntos, aquele tempo descompromissado e a irresponsabilidade do domingo à noite.

Mas o sol não tardou a raiar. E a segunda-feira amarela no cinza chegou. E com ela a realização que nem todos os beijos são possíveis. Ainda que desejado, improvável.

O príncipe não existe, do ogro nada ficou e Lúcia seguiu vagando a buscar novos sorrisos, novas idéias e novos amores. Agradeceu em silêncio que aquele menino que de nada sabia – e era tão inocente ao ponto de jamais suspeitar – lhe tinha despertado de um longo inverno e de um recolhimento preguiçoso. Foi a primeira vez que um nada valeu a pena. O ineditismo do não-fato era digno de ser citado sem a nostalgia do que poderia ter sido. O desfacelamento de expectativas já não lhe doía e as demolições de construções oníricas não lhe calevajam as mãos.

Que lhe importava se o menino-que-de-nada-sabia tinha firmado compromisso de amor com a menina-sem-sal se Lúcia tinha – agora – o mundo inteiro a lhe esperar?

A primavera, enfim, tinha chegado.

E com ela novas possibilidades.

E, com ela, todos os horizontes.

Deixa ser como será.

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Pobre coração humano, um diálogo.

23 de outubro de 2012 por Camila

-Mas afinal de contas, garota, o que você tanto espera?

-Não sei.

-Um amor?

-Talvez.

-Então porque negar em alta voz?

-Não sei. Me crio padrões altíssimos e ajo ao revés de todos eles. Seria um flerte com a autosabotagem?

-Ora, que diálogo mais irracional e esquizofrênico…

-Não pode ser, já tive alta da terapia. A bagunça, o caos, a desordem e o ímpeto ficaram no começo da nova era, repousando na lira dos vinte anos. Nada mais me pode tirar o controle, nunca mais agi impulsionada por aquela personalidade intempestiva que se comportava como uma força da natureza. Cigarros, bebidas, remédios, obsessões… Já não há mais tempo para isso.

-Isso é bom. Mas e todas as outras coisas? E aquelas compulsões?

-Elas continuam. E como fazem barulho… Mas há sempre algo de mais importante, real e rotineiro que implora pela minha atenção. Um texto por fazer, a casa pra varrer, o chuveiro pra consertar, o carro pra lavar, os livros que estão tortos na estante, a mensagem pro amigo que precisa do carinho, o correr lento das horas que querem que eu chegue não sei onde…

-Insisto na questão: o que te falta, garota?

-Pára de me fazer perguntas difíceis, eu não sei. Eu sei de coisas que desejo com ardor, mas não sei se elas também seriam suficientes. Eu gostaria de mais certezas, talvez. E de pessoas interessantes, que me fizessem admirar profundamente e ser admirada com a mesma intensidade. Gente que não me desse preguiça e despertasse em mim uma vontade enorme de ir além, mas compreendendo os limites que me cerceiam, as minhas modestas virtudes, os meus defeitos enjoados e todas as minhas modas púdicas.

-Você quer ir além presa a limites castos?

-Eu acho que sim…

-Eu te dei três pedidos, não te concedi o impossível.

-Dê-me asas. Voando devo encontrar o que nem sei que procuro…

-E para onde você iria?

-Para algum lugar que pudesse estar em vários ao mesmo tempo. Mil pedaços de Camila. Mas confesso uma curiosidade pueril pela Islândia, pelo Leste Europeu e por essas vilas que falam línguas eslavas. Mas há sempre aquele meu horizonte para onde vou e volto, aonde abraço lembranças e bebo as novidades.

-Garota, como você é confusa! Você não pode decidir uma coisa mais concreta?

-Ora, desse jeito é você quem me exige o improvável…

-Ai, garota… Você me faz perder tempo com tantas elocubrações abstratas. Seja mais literal, acabe com essa mania de transformar tudo em nuvem.

-Desculpa! Mas já sei, acho que se você levar embora o medo, o tédio, a dúvida e garantir saúde eterna a todos que eu amo, devo conseguir fazer progressos e realizar sozinha as coisas que eu acho que me fariam inteira.

-Você tem certeza que não quer nada material?

-Um mundo delas! Mas você é um ser fantástico, eu não perderia minha chance de pedir mágica em detrimento de bens ordinários e perecíveis… Ah, e me garanta muitas flores pelo caminho. Gosto especialmente das azuis e das amarelas.

Nefelibata.

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Marcela.

22 de outubro de 2012 por Camila

‘…Ela fica sublime quando escreve, começou o romance dizendo que em dezembro a cidade cheira a pêssego. Imagine, pêssego. Dezembro é tempo de pêssego, está certo, às vezes a gente encontra as carroças de frutas nas esquinas com o cheiro de pomar em redor mas concluir daí que a cidade inteira fica perfumada, já é sublimar demais. Dedicou a história a Guevara com um pensamento importantíssimo sobre a vida e a morte, tudo em latim. Imagine se entra latim no esquema guevariano. Ou entra? E se ele gostava de latim. Eu não gosto? Nas horas nobres, deitava no chão, cruzava as mãos debaixo da cabeça e ficava olhando as nuvens e latinando, a morte combina muito com latim. Não tem coisa que combine tanto com latim como a morte. Mas aceitar que esta cidade cheira a pêssego, exorbita. ¿Qué ciudad será esa? ele perguntaria na maior perplexidade. ¿Tercer Mundo? Terceiro Mundo. ¿Y huele a durazno? Na opinião de Lia de Melo Schultz, cheira. Ele então fecharia os olhos onde eram os olhos e sorriria um sorriso onde era a boca.’

(TELLES, Lygia F.)

Ela tinha cara de manhãs ensolaradas de domingo. E, provavelmente, cheiro de quem come pêssego no mar. Tinha, também, jeito de quem sabe que a vida é boa. Levava girassóis nos cabelos e borboletas na barriga. Os olhos de puro caleidoscópio permitiam ao mundo perceber que a alma era azulzinha com nuanças de lilás e violeta, embora parecesse – dependendo da luz – com a furta-cor que Quintana descobriu.

E, por falar em Mário, lia poetas brasileiros, estruturalistas franceses, revolucionários russos e escritores hispanohablantes em geral. Dizia que havia amor e razão em quase tudo. E aonde menos se suspeitava.

Agora – menina abstrata que era – estava apaixonada por uma idéia!

Sim, uma idéia!

A ansiedade que aquarelava borbulhante em superfície serena e calma ainda não lhe permitia ilustrar muito bem o núcleo da fantasia, mas o conceito estava lá e lhe consumia as entranhas feito os espíritos  mais interessantes devoravam as estradas e as escolhas.

Tentava traduzir o que o grão da idéia lhe enviava em ondas místicas e pouco usuais.

O ritmo era baixinho, mas ficava horas a fio em silêncio tentando ouvir aquilo que lhe parecia a mais absoluta das verdades.

Estaria a menina apaixonada pela idéia de ser feliz? Ora, estaria agora ignorando todos os apelos de cautela que os outros gentilmente lhe cederam quando ousou expressar que acreditava – mesmo! – nesse sublime sentimento?

Mas gostava de encarar. A possibilidade que semeava em si não tinha forma, razão e nem porque. Não dizia a que veio, mas claramente tinha um motivo. Proclamar o fim do cinismo e da desesperança, talvez?

Ela sabia que não precisava tomar cuidado com o que trazia no coração. Sabia que a idéia, o novo objeto da sua afeição, tinha em si nada mais que a capacidade dos que ousam acreditar.

Era pura rebeldia e desafiava a dormência de estar diária com pinceladas de imaginação e poesia.  O vento entortava, mas ela seguia. Por vezes até cambaleante – bamba como o próprio samba – porém, sobretudo, caminhava pelas velhas ruas de paralelepípedos cobertas de flores e convicções.

Que errante era essa menina!

E sabia – desconhecendo o porque e por pura intuição – que os verdadeiros corajosos eram aqueles que se permitiam a jornada sem tentar prever o seu final.

‘…Infinitamente. Eu poderia ficar repetindo infinitamente infinitamente. Uma simples palavra que se estende por rios, montes, vales infinitamente compridos como os braços de Deus.’

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Se você não existisse, eu teria que te inventar.

20 de outubro de 2012 por Camila

Hoje, mais uma vez presa no trânsito bicolor de São Paulo – aonde o vermelho das luzes do freio se funde ao cinza onipresente -, senti uma vontade enorme de te escrever. De lhe falar. A você, que já existe no mundo, mas ainda não conhece a minha vida.

Senti uma vontade quase atônita de confessar que quando eu me encantar, você estará dançando. Completamente absorto num transe livre, que nem naquela canção da menina outrora traída e neurótica que desgrenhava rock’n’roll por aí.

Gosto de te imaginar no meio das mil atribulações cotidianas. Gosto de te desenhar e te quase tocar. De ter certeza dos sorrisos que você provocará. De criar situações. De ficar pensando em quais músicas do Chico serão as notas da nossa – e as nossas! – história, se as de amores tão profundamente amados, ou se as da mágoa que transborda um coração.  Fico pensando se vou ter ciúmes e inseguranças ou se vai ser tanta certeza na minha alma que outro sentimento não caberá. Só sei que não vou morrer de tédio e nem de dúvida.

Sabe, antes de você chegar tanta coisa me aconteceu. Eu era só esperança e amor. Eu era só querer. Eu dançava como se ninguém estivesse olhando. Eu tropeçava e apenas gargalhava, seguindo adiante. Aí outras pessoas aconteceram, outro mundo surgiu. O cinismo flertou comigo, mas a vontade de me manter pura foi mais forte. Fechei as portas de mim para tantos universos simplesmente porque eu sabia que aquela não era a hora de abrir. Fiquei com medo de secar, de apodrecer. Estava perigosamente atraída pelo mundo dos que se negam. Aí Vinícius me despertou mais uma vez. Não era aquele o meu lugar. Comecei a brincar de você pra manter aquilo que há de bonito em mim.

Não tenho ansiedade pela sua chegada. Eu sei que ela vai acontecer. Sei com a mesma convicção que tenho que todos os dias o céu pode ter a cor que eu quiser e as nuvens as formas que eu modelar.

Fico pensando baixinho se você saberá cozinhar, se a gente vai alternar a escolha das músicas no domingo, se você sabe tocar violão, se sente cócegas nos pés, se ri comigo até o ar faltar, se mexe no cabelo do jeito mais sexy possível (e que só eu sei disso!), se vai me deixar dormir até as primeiras horas da tarde, se vamos tirar par ou ímpar na hora de decidir o filme, se os nossos gostos são complementares, se os silêncios não se farão estranhos – sempre necessários e compreensíveis – e se o seu pensamento calado não vai me deixar completamente insegura. Se já lemos os mesmos autores e achamos geniais os mesmos trechos dos livros. Se você é só abstração, mas se vai saber lidar com o mundo burocrático dos pneus furados e documentos timbrados para a minha mente tão exausta dos números.

Aí eu já acho que não sei de nada e cada cair das horas é uma surpresa contigo. De me tirar o fôlego e de me ensinar que conviver não é mesmo tão difícil e massacrante. Que o amor sobrevive às tardes de calor sufocantes e ao meu desejo lacônico de ficar sozinha por algumas horas ou dias. E que eu saiba também lhe respeitar e lhe doar esses momentos sem doer em nada meu coração.

Com você não será, já é. E você nem chegou. Mas eu já lhe tenho quase todo. E não estou idealizando, estou sentindo. O sentir que sempre me foi palpável e passou a me ser um estranho. Mas que agora voltou. Sabe-se lá se foi porque você existe em algum universo que está mais perto, talvez, do meu. E chegando.

Esse texto mudou nos átimos de segundos em que senti saudades de você no trânsito. Nos momentos em que, parada, quis lhe gritar. E se transformou em outra coisa quando estacionei e ali permaneci, largada no banco do meu carro com Bob Dylan aos meus ouvidos. E no escuro mudo, você ressurgiu. Na luz artificial da tela do computador. No ato de ignorar pela primeira vez o papel e a caneta. Na pluralidade de opções, na virgindade da expectativa.

Fico indagando pro meu lado bom como você é. Se tem o olhar icônico do Elvis, talvez? Se tem a febre de Marlon Brandon gritando por sua Stella em ‘A streetcar named desire’. Se fica incrivelmente irresistível de jeans e camiseta branca. Se vai gostar de ficar deitado no chão comigo, com a cara pra cima e só existindo. Se os seus dedos estão sujos de tinta, mas ainda não consigo enxergar se é de caneta ou se é acrílica. Se tem a barriguinha da boêmia e do chopp pra combinar com a minha, cheia de borboletas. Se leva no rosto os traços dos dias a fio criando e ocupado demais para pensar na barba que insiste em crescer. Na alma, já sei que leva as marcas da vida. E eu quero saber lidar com isso sem posses e dores. Quero que sejam somente as delícias de conhecer o outro e suportar o passado. Quero ser mulher feita quando você chegar. E quero ser tudo, menos vaidade.

Saber que o seu olhar é de admiração e reconhecimento pela garota que você escolheu para ser a sua dentre todas as outras garotas especiais que existem. E ela nem é a mais perfeita, a mais bonita, a mais inteligente ou a mais interessante, mas ela tem aquele brilho de estrelas e de raios de sol nos olhos. Poder lhe cantar baladas de amores com a voz desafinada que Deus me deu. Saber que vou lhe apertar forte as mãos nas cenas mais lindas do cinema. Te contar do meu dia, do bem que eu deixei de fazer, e das injustiças que eu sofri. Despejar uma verborragia sobre a melancolia de mim, ganhar um beijo na testa e ouvir que vai ficar tudo bem quando você se levantar, colocar Our House’ pra tocar, me tirar para dançar e fazer tudo parecer ter sentido de novo. Correr para o seu abraço e saber que nossas direções e caminhos nem sempre serão as mesmas, mas que ainda assim, vai valer a pena. Sem desassossego e sendo pura paixão.

Eu já sei que você não pode vencer o mundo com as duas mãos amarradas nas costas. Mas mesmo assim eu vou acreditar nisso quando repousar, noite após noite, em teu peito.

Sei, inclusive, que você vai saber aceitar minha alma cigana, completamente preenchida de momentos fugazes e eternidades inexplicáveis.

O meu abraço sincero e demorado nos amigos também não vai lhe ofender porque você já sabe que meu amor é difuso, mas completamente leal. E, sobretudo, tenho certeza que, dentro de si mesmo, você já sabe que beijos roubados são essenciais. Ah, e beijos na chuva também.

E sabe, menino, talvez haja dores. E eu acho que a gente vai saber lidar com elas antes que elas nos quebrem as asas. Porque, nessas linhas e nessa vida, tudo é possível. Pássaros livres, lembra?

Eu só sei que serei apaixonada por você. E fica combinado que você vai ter que morrer de tesão por mim, irrevogavelmente.

É, se você não existisse, eu teria mesmo que te inventar. E, sendo Cecília, te reiventar muitas vezes. Quase todos os dias.

Obrigada pelo seu amor.

Aqui pertinho.
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